Tem gente que é fácil conversar com ela. É o tipo de companhia agradável e que você conversa e não vê o tempo passar.
Há cerca de dez anos, conheci uma pessoa que devido ao meu trabalho, acabamos estabelecendo um contato. Rapidamente percebi que era uma dessas pessoas que citei acima. Fala mansa. Um meio sorriso constante no rosto e principalmente, sabe escutar também. Na época conheci seu patrão (somos fornecedores dele), que ele fez questão de me apresentar.
O tempo passou e, apesar de te-lo visto algumas vezes na empresa, nunca mais paramos para conversar. Mas eis que esta semana nos encontramos e colocamos a conversa em dia.
Ele falou como da primeira vez, do seu trabalho (ele é motorista e apaixonado pelo que faz), falou da empresa e, visivelmente emocionado, do patrão que na época tinha uma empresa com seis funcionários e que hoje é dono de quatro empresas.
O assunto fluiu rápido e falamos da crise, do desemprego que está atingindo muita gente e da felicidade de, mesmo depois de dez anos, ainda poder servir ao homem que lhe deu a oportunidade que permanece até hoje. Falamos da importância da lealdade àqueles que nos confiam um dever. Falamos de amizade. Até dos cabelos que já estão branqueando e cada vez mais ralos, nós falamos. Os assuntos foram deslizando pela fala pausada e suave daquele homem que sabe a arte de se comunicar. Apesar de estar muito atarefado, eu ficaria ali por muito tempo como um feliz ouvinte. Mas…
Nesse instante soou seu nome na caixa de som e nos despedimos, pois ele teria que pegar a documentação para seguir viagem. Tudo isso aconteceu em cerca de três minutos.
Infelizmente a correria da vida não nos dá tempo para conversas como essa. As pessoas passam e fingem não se ver. Apesar de estar no meio da multidão, parece que estamos sempre sozinhos. Falta tempo para falar…ouvir e até para ver já está ficando curto o tempo. Só conseguimos ver a complexidade dos problemas e não deixamos que a simplicidade nos dê a solução.
Depois dessa breve conversa eu me senti mais leve. Uma paz verdadeira invadiu meu ser e até me inspirou a escrever esse texto.
Uma boa conversa com alguém como o Seu João (nome fictício) faz bem para qualquer um.





























