Fonte:http://www.geopara.pa.gov.br/imagens/queimada.jpg

É dia de muito calor,
Tudo calmo…sem vento…sem nada.
A mata já sente sua dor,
O dia é propício prá se fazer queimada!
O acero está pronto,
O trabalho já vai iniciar,
Agora procuram o melhor ponto,
Para o fogo poderem atear.
O fogo vai queimando sem só,
Cada vez se espalhando mais,
Transformando a mata em cinza e pó,
Provocando espanto nos animais.
A coruja pia triste em pleno dia,
O macaco voa em um cipó.
Correndo em gritos vai a cotia,
No grotão já pia um chororó!
O fogo segue seu caminho,
Com sua chamas lambendo tudo.
E um filhote que está no ninho,
Não entende nada – permanece mudo.
Ladeira abaixo corre uma anta,
A lígua de fogo usando seu poderío.
Enquanto a perdiz do sufoco levanta,
O castor se espanta e cai no rio!
Em tudo que existia há um lamento,
Por tudo o que o homem acabou de queimar,
Provocando a morte da natureza,
Onde a beleza e a alegria,
Por milhões de anos conseguiu reinar!
Quando o dia amanhece a natureza é triste,
O céu escuro e o sol vermelho enxuto,
Na velha mata só cinza existe,
O manto cinzento cobrindo tudo,
É a natureza que está de luto!
Autor: Darcy Mendes – escrita no dia 05/04/1982





























